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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Desrespeito à vida: mais uma vítima do descaso público


Infelizmente, o post de hoje traz uma triste notícia: mais uma morte de ciclista no trânsito de São Paulo.
O frentista Maciel Oliveira Santos, 42 anos, voltava do trabalho quando foi atropelado por uma carreta ao ultrapassar um micro-ônibus que estava estacionado na faixa da direita, com o pisca alerta ligado. Na colisão, a bicicleta foi arremessada para debaixo do ônibus e Maciel morreu na hora. O motorista da carreta não parou para prestar socorro.
Veja fotos do ocorrido:

O acidente aconteceu ontem (07/01 - terça-feira) por volta das 23h00, na Avenida Pirajussara, zona Sul da cidade de São Paulo. O motorista do micro-ônibus e outras testemunhas que estavam no local já foram ouvidos e a polícia procura o motorista da carreta para esclarecimentos. Familiares da vítima informaram que o frentista estava acostumado a pedalar e ia ao trabalho de bicicleta há dez anos.
E não foi a primeira vez. Há menos de um ano, outro atropelamento de ciclista ocorreu na mesma avenida a apenas 700 metros do local onde Maciel foi atropelado ontem. O pedreiro Lauro Neri, 49 anos foi atropelado no dia 03 de abril de 2012 e também voltava para casa depois de um dia de trabalho.


O que mais causa revolta é que a Prefeitura de São Paulo possui um projeto de ciclovia para a Avenida Pirajussara desde 2004, a Ciclo Rede Butantã, que deveria ser entregue entre 2006 e 2007, mas não saiu do papel. A avenida estaria integrada a uma extensa estrutura cicloviária de aproximadamente 105km de ciclovias, ciclofaixas e calçadas compartilhadas ligando o Butantã a Taboão da Serra. 
Veja o mapa do que seria o projeto:


Mas o projeto não foi cumprido. E não foi por falta de pressão. A Ciclocidade realizou contagem de ciclistas na região durante 03 anos consecutivos para mostrar a alta demanda do uso de bicicletas. Houve cobrança da imprensa e moradores que entregaram um abaixo-assinado na Prefeitura.
Em 2011, nada havia sido feito ainda. Então a Ciclocidade sugeriu uma nova proposta cicloviária, com calçadas compartilhadas para garantir a segurança dos ciclistas que utilizavam aquele eixo de deslocamento. Mas mesmo assim, as obras não começaram.


Em maio de 2012 outro abaixo-assinado foi entregue. Em dezembro, uma manifestação na avenida.Outra em fevereiro de 2013 que culminou em um encontro na Câmara Municipal de São Paulo onde foi apresentado um plano da prefeitura para a região e discutidas possibilidades com os moradores.
Em setembro de 2013, o subprefeito do Butantã, Luiz Felippe de Moraes Neto apresentou outro projeto para a ciclovia, que não foi aprovado pela CET por questões técnicas. Assim, o subprefeito buscou uma nova alternativa e em dezembro de 2013 as obras finalmente começaram.


Segurança do ciclista
Quem vê o vídeo do acidente de ontem fica com uma forte impressão de que o ciclista foi imprudente na ultrapassagem.
Mas o caso aqui não é saber quem vacilou e está bem longe do famoso discurso "o ciclista tem que tomar mais cuidado". Nós (motoristas, ciclistas e pedestres) somos o trânsito e todos devem ter cuidado e respeito. Se o ciclista tem que ter cuidado, o motorista também tem. E cadê o cuidado da cidade conosco?
Acidentes assim são resultado de um histórico de descaso, impunidade e falta de respeito e políticas públicas.

De qualquer forma, colocamos abaixo algumas dicas para quem pedala no trânsito:
1. Itens de segurança: iluminação (traseira, dianteira e nos pedais), capacete, luvas, espelho retrovisor esquerdo.
2. Não pedale na contramão.
3. Pedale na faixa da direita.
4.Cuidado com as portas dos carros. Você pode ser surpreendido por um motorista saindo do veículo.
5. Ocupe a via.
6. Sinalize suas ações com as mãos.
7. Se possível, evite grandes avenidas.
8. Não fure o sinal.
9. Não pedale no corredor de ônibus.
10. Atenção redobrada nos cruzamentos e ultrapassagens.
11. Evite usar fone de ouvido. Ele diminui sua percepção e atenção do que está rolando ao seu redor.

#Gobikers!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Valdinei Calvento: Ilustrações para repensar a cidade

Já conhece o ilustrador Valdinei Calvento?
Ele é paulistano e mantém um blog muito legal, o Igual Você.
Suas ilustrações possuem um tom ativista e nos convidam a refletir sobre nossa relação com as grandes cidades, mobilidade, sustentabilidade e uma vida mais saudável.
Dentro de seu trabalho autoral, e das inúmeras ilustrações, selecionamos uma série de posters que tem como tema a bicicleta.
Confiram abaixo o design ativista e elegante de Valdinei:


















#Gobikers!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Cultura Pop Brasileira - Ciclistas Urbanos

Para o fim de semana, resolvemos postar um vídeo bem legal, produzido pela Warner Bros.
É um mini-documentário de 23 minutos que apresenta as diversas visões de quem usa a bicicleta como meio de transporte.
O documentário mostra o potencial da bicicleta em humanizar e transformar cidades, além de intensificar o uso do espaço público. Destaca também o uso da bicicleta como fonte de renda e instrumento de aperfeiçoamento pessoal.

Aproveitem!

#Gobikers!



quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Estamos de olho: emplacamento de bicicletas


Já a um tempo, um assunto vem sendo amplamente discutido entre os ciclistas: o emplacamento de bicicletas.
Assim, resolvemos fazer este post comentando os acontecimentos que rolaram ( e ainda estão rolando) para que todos os ciclistas possam acompanhar e defender sua posição.
Em meados deste ano, o vereador Adílson Amadeu (PTB) levou para votação um Projeto de Lei (Pl224/2012) que pretende estabelecer o emplacamento e licenciamento de bicicletas e o uso obrigatório de capacete, óculos, luvas e sapato anti-derrapante.


A justificativa deste PL é  “criar em âmbito municipal uma espécie de cadastro e controle das bicicletas utilizadas nas vias públicas da cidade”, e o embasamento desta proposta são “matérias jornalísticas que informam sobre o desrespeito às regras de transito por ciclistas”.
Diante do PL, o vereador Ricardo Young (PPS), que compõe a Frente Parlamentar pela Mobilidade Humana, solicitou uma audiência pública, realizada no dia 12 de junho de 2013 na Câmara Municipal de São Paulo. Cerca de 70 ciclistas compareceram para se manifestar contra o projeto.
O material apresentado na audiência para justificar o PL foi uma matéria do Jornal Nacional mostrando supostas imprudências cometidas por ciclistas, como andar na calçada e aguardar o semáforo usando uma parte da faixa de pedestres.
Os ciclistas e cicloativistas presentes se defenderam salientando a falta de estrutura ciclística na cidade, que é exclusivamente planejada para carros, resultando na insegurança de quem pedala. “O ciclista está na calçada, porque não se sente seguro na rua”, disse Willian Cruz, do Vá de Bike.
Vários questionamentos surgiram durante a audiência: bicicletas infantis devem ser emplacadas?; Como ficam as bicicletas de turistas?; Onde prender a placa na bicicleta visto que nem todas tem bagageiros?; É a hora de colocar crianças e idosos para pedalar na rua, junto aos carros?
Além disso, foi levantada a questão da burocratização do uso da bicicleta. Em um momento em que o uso da bicicleta  como meio de transporte vem ganhando adeptos e que o mundo inteiro fala da bike como uma alternativa de melhorar a mobilidade urbana, burocratizar seu uso não faz nenhum sentido. E não se deve esquecer que muitas pessoas com baixa renda dependem da bicicleta para se locomover na cidade, e a oneração seria um problema para elas.
A obrigatoriedade da utilização de acessórios, também foi questionada. O uso do capacete pode sim proteger quem pedala nas quedas, mas no caso de uma atropelamento, maior causa de morte de ciclistas, seu uso pode não adiantar. Foi o caso da Márcia e Juliana, atropeladas em São Paulo e não resistiram. Ambas usavam capacetes. Além disso, a obrigatoriedade tende ao surgimento de acessórios de baixa qualidade para diminuir o custo e atender a demanda, que podem não só não ajudar o ciclista, mas colocá-lo em risco por serem inferiores ou pela utilização incorreta. O caminho não é obrigar, mas educar.
O investimento de verba foi um ponto da audiência. Será que o emplacamento de bicicletas resolve o problema? Será que o dinheiro investido no emplacamento não deveria ser direcionado na construção de vias adequadas para o ciclista, campanhas de educação no trânsito e sinalização de vias? Todos os dias ciclistas se arriscam nas ruas (que por direito, é de todos), em meio ao trânsito e pagam por adotarem um meio de transporte alternativo, que não polui, faz bem à saúde e à cidade. Veja o depoimento emocionado da ciclista Cristiane Frisson durante a audiência: "“Todos os cicloativistas são heróis sem capa. Tem que ter coragem, porque até como pedestre a gente corre riscos. Tem gente que faz uso do skate, qual e o próximo passo? Emplacar o skate, emplacar o patins, emplacar o par de tênis? Eu vou pro trabalho a pé porque eu desmaiei por duas vezes no metrô, completamente desnorteada, fui colocada pra fora da Sé e os funcionários do metrô me colocaram no táxi! Baixou minha pressão, por causa do metrô lotado. É essa a situação que a gente vive, gente, é essa! É uma b…! E quem tá pedalando tá buscando uma alternativa, de trabalho, de vida melhor, com consequência pra cidade!”
Vale lembrar que em cidades como Amsterdã e Copenhague, que possuem um intenso tráfego de bicicletas não utilizam o emplacamento ou licenciamento, e sim infraestrutura para incentivar, educar e criar segurança para o ciclista.

E qual o fim da história?
Bem, ainda não tem um final.
Após a audiência, a votação do PL foi adiada. Depois foi remarcada para o dia 09 de outubro, porém foi adiada novamente, por mais cinco semanas, na tentativa de que o vereador retire o PL.
Porém, este já deixou bem claro que não retirará o projeto de lei. E procurado pelo Vá de Bike e Bike é Legal para uma entrevista, Adílson Amadeu se recusou a recebê-los. Sua assessora de imprensa os informou que o vereador não iria mais conversar com os ciclistas, pois havia sido "ofendido" diversas vezes, e que este manifestaria sua posição através do facebook (rede social sem caráter oficial), que pode ser encontrada aqui.
Resumindo: Adílson Amadeu está fechado ao diálogo.

Quer ajudar?
Entre em contato com os vereadores que compõem a comissão onde o PL será votado. Deixe claro seu posicionamento, seja educado e cordial. trace uma linha de diálogo. Argumentos não faltam, certo?

Presidente:
Senival Moura (PT) - 11 3396-4530 / senival.pt@ig.com.br

Vice-Presidente:
Claudinho de Souza (PSDB) - 11 3396-4255 / vereadorclaudinho@uol.com.br

Demais integrantes:
Ricardo Young (PPS) - 11 3396-4681 / ricardoyoung@camara.sp.gov.br
Vavá dos transportes (PT) - 11 3396-4672/4673/4854/4469 / vavadotransporte@camara.sp.gov.br
Aurelio Miguel (PR) – 11 3396-4258 / aurelio.miguel@camara.sp.gov.br
Souza Santos (PSD) - 11 3396-4242 / souzasantos@camara.sp.gov.br
Coronel Telhada (PSDB) - contato@coroneltelhada.com.br

E-mail da comissão: transecon@camara.sp.gov.br

Veja aqui o vídeo da audiência realizada:


Vamos ficar de olho, nos unir e impedir de forma organizada e política a aprovação desta lei absurda. Os motivos da nossa posição são claros e foram expostos em audiência pública.
Precisamos sim, de políticas urbanas sérias e que estejam comprometidas a construir uma cidade melhor, para todos, baseada na educação e na conscientização. E não em "BURROcracias, licenciamentos e mais taxas que não trarão benefícios à população.

#Gobikers!


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Não fechem a ciclovia do Rio Pinheiros!


Olá ciclistas!
O post de hoje vem convidar a todos os ciclistas (que pedalam por lazer ou transporte, muito ou pouco, todos os dias ou só no fim de semana) a participarem da grande pedalada contra a interdição (sem alternativas para os ciclistas) da Ciclovia do Rio Pinheiros, que ocorrerá no domingo às 15:00.
Para entender o que está rolando: 


No começo da semana, foi noticiado, através de um comunicado oficial do metrô, que a ciclovia do Rio Pinheiros ( a maior da cidade de São Paulo), seria interditada por dois anos a partir desta segunda-feira, 07/10, devido a obras na Linha 17 - Ouro do Metrô (Monotrilho). O trecho interditado compreende 4,6 km entre as estações Granja Julieta e Vila Olímpia e essa interdição, mesmo parcial, impossibilita o uso da ciclovia em toda sua extensão. Além disso, uma das pontas interrompidas, próximo à estação Granja Julieta, não tem acesso de saída ao ciclista, sendo o ponto de acesso mais próximo, a estação Santo Amaro, a 3,8 km de distância, o que aumenta o "trecho morto" da ciclovia.
Segundo o comunicado, a interdição "tem como objetivo assegurar a integridade dos ciclistas enquanto durarem as obras". Porém, como os ciclistas que utilizam a ciclovia diariamente em seus deslocamentos terão que utilizar a Marginal Pinheiros, o efeito será o oposto, colocando-os em risco pelo fechamento da faixa exclusiva.
Desde o anúncio da interdição, várias alternativas tem sido apresentadas por ciclistas e usuários da ciclovia.
Porém, em busca de informações com órgãos responsáveis (Metrô, CPTM, Secretaria Municipal de Transporte) sobre as alternativas possíveis, a organização Vá de bike não recebeu nenhuma resposta.
Diante do desinteresse em apresentar alternativas para o ciclista e do desrespeito com os cidadãos que utilizam a via, um grande protesto em formato de vigília foi organizado para o fim de semana, onde milhares de ciclistas já haviam confirmado presença através do facebook. Porém, frente à reação da população, nesta quarta-feira (02/10), a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos comunicou que a interdição será adiada.
Na manhã desta sexta-feira, houve uma reunião com representantes do Metrô, CPTM, Consórcio Monotrilho e ciclistas representantes do Vá de BikeBike é LegalCiclocidadeInstituto CicloBRBicicreteiros, e um dos organizadores do protesto de domingo (06/10). Foram discutidas algumas promessas esquecidas sobre melhorias na ciclovia, detalhes da obra do monotrilho e troca de idéias sobre alternativas possíveis.
Ainda não há uma solução definida, mas uma coisa ficou bem clara: segundo Eduardo Curiati, representante do Metrô de São Paulo, a ciclovia não será fechada enquanto não houver uma alternativa de circulação para os ciclistas.


Diante da nova situação, o protesto organizado inicialmente tomou um outro formato: uma grande pedalada no domingo (06/10) com  concentração na ciclovia, na entrada Vila Olímpia, às 14h.
Veja os detalhes do evento aqui.
Participe! Leve sua família e amigos! Vamos mostrar nossa força, que somos muitos e não vamos aceitar passivamente decisões que colocam e perigo a vida do ciclista e o direito de circular com segurança nesta cidade, que é nossa!
Marque presença neste evento pacífico e lute pelo seu direitos!
Nos vemos por lá!

#Gobikers!

domingo, 8 de setembro de 2013

Entrevista inédita com a banda CO2 Zero!


Já conhece a Banda CO2 Zero?
Não? Pois aqui vai uma oportunidade de conhecer o trabalho nota 10 feito por esse pessoal.
A Banda CO2 Zero é de Santa Bárbara D'Oeste (interior de São Paulo) e promove educação ambiental utilizando música e um modelo sustentável de geração de energia elétrica através de bicicletas ergométricas adaptadas com geradores.
A banda se iniciou em março de 2009 e possui quatro integrantes: Armelin (bateria), Kleber (contra-baixo), Max (guitarra e voz) e Reginaldo (guitarra e voz).
Confira agora o bate-papo inédito que tivemos com o Armelin, Reginaldo e Max  e saiba mais sobre a banda e essa iniciativa sustentável!


BL: Como vocês se conheceram?
Reginaldo: A primeira formação da banda não fazia versões e nem músicas de autoria própria. Éramos quatro integrantes: o Armelin, o Max (que ainda estão na banda) e mais dois integrantes. De uns anos para cá, a banda começou a ter outra proposta, levando sustentabilidade e palestras ambientais para as pessoas que assistiam aos shows. A banda também foi tomando outro foco e em 2009, fui convidado para integrar a banda. Por último veio o Kleber, que em 2010 nos contratou para um show e posteriormente se juntou à banda. Porém, eu e o Armelin já nos conhecíamos muito antes da banda surgir, há uns 30 anos (risos).

BL: Bom, então no início vocês eram uma banda “comum”?
Armelin: Sim, inicialmente eu e o Max tocávamos covers de músicas de outras bandas. Quando eu comecei a trabalhar com a área ambiental, eu sugeri ao Max que deixássemos o cover para trás e fizéssemos algo original unindo música e educação ambiental. O Max adorou a idéia e a nova formação da banda já tinha esse foco.

BL: Vocês já pedalavam antes da banda?
Armelin: Sim, comecei a pedalar na barriga da minha mãe (risos). Nunca deixei de pedalar, inclusive meu carro está apodrecendo na garagem, eu faço quase tudo em cima da bicicleta.

BL: E os outros integrantes? Todos pedalam?
Armelin: Eu venho cobrando bastante da banda, se nós estamos cantando algo, temos que executá-lo também. Depois de mim, quem pedala mais é o Reginaldo, seguido do Kleber. O que menos pedala é o Max. Porém eles estão sendo desafiados, pois nós teremos muito em breve, uma apresentação, aonde chegaremos todos de bicicleta e o show vai ser em cima da bicicleta. Eles não pedalam muito, mas eu estou puxando a orelha deles! (risos)

BL: Como surgiu a idéia do pedal sustentável? Quem surgiu primeiro? A banda ou o pedal sustentável?
Armelin: Primeiro nasceu o pedal e depois a banda. Pedal sustentável é o nome para dizer que você vai pedalar e gerar energia elétrica.
Eu, como professor de mecatrônica, tive em 2005, o desafio de levar para os alunos o tema ambiental, dentro de um curso técnico. Eu conduzia essas aulas baixando algumas transparências da internet. Mas isso não prendia a atenção dos alunos. Um belo dia em casa, eu reuni três paixões: ciclismo, mecatrônica e música.
Um gerador elétrico, uma bicicleta, uma gambiarra (risos) e o movimento da pedalada na bicicleta gerou energia através do gerador e tocou uma música. Pronto! Fui para a escola com essa bicicleta e comecei a palestra falando sobre sustentabilidade. Logo tocou uma música e isso prendeu muito a atenção de todos. A partir daí foi muito fácil falar e desenvolver o tema. Eu nem precisei das transparências, só o cenário e as pessoas pedalando deram o clima ideal para a palestra! Depois eu descobri que nós, seres humanos, temos uma boa capacidade de gerar energia elétrica quando se fala em gerar som. E aí foi fácil começar a banda. Foi só falar para o Max, vamos parar de fazer cover e vamos apostar nisso, algo inovador, que ninguém faz no Brasil.

BL: Com certeza, muito bacana.
Armelin: No começo parecia ser loucura, o pessoal olhava aquilo e achava meio estranho. Mas com o passar do tempo, a gente viu que não é mais estranho para as pessoas ver isso, a gente às vezes está em um show e vê lá longe alguém passando e comentando com o outro “Ah, é aquele lance de bicicleta, música, que gera energia”, ou seja, as pessoas já sabem do que se trata mesmo sem chegar muito perto.

BL: Bom, mas isso é normal, sempre quando há uma idéia nova, pioneira, de início é olhada com estranhamento...
Armelin: Sim, ainda bem que eu encontrei uns loucos para me acompanhar e eu não fui louco sozinho! (risos)

BL: De onde surgiu o nome CO2 Zero?
Armelin: Foi em 2008, quando eu precisava dar um nome para a banda, pois íamos fazer o show de estréia.
O nome CO2 Zero tem a ver com CO2 é o dióxido de carbono, é algo que nosso planeta está emitindo muito por causa da ocupação humana, quando usa muito petróleo. O CO2 não é venenoso ao humano e é até bom para as árvores, só que em excesso, o planeta começa a esquentar e reter calor. E quanto ao zero que foi colocado no final do nome, na engenharia, o zero significa equilíbrio. Ou seja, dióxido de carbono equilibrado. Ou seja, ou você deixa seu carro na garagem e vai andar mais de bicicleta, ou planta muitas árvores para sequestrar todo esse CO2 em excesso no planeta. Esse é o fundamento. E também com bons olhos sobre o Protocolo de Kyoto que fala sobre isso.

BL: Quanto às músicas, vemos versões muito bacanas com temas de coleta seletiva, pedal, ações sustentáveis... Quem é o compositor da banda?
Armelin: O Reginaldo é o melhor cara para fazer versões musicais do planeta! (risos)
Reginaldo: Nós temos duas pessoas para fazer as versões. Na verdade tudo começou com o Armelin, que quando queria falar sobre alguma coisa, trazia um texto e em cima disso, eu colocava a musicalidade. Então eu pegava uma música e adaptava o que ele queria falar. Além das versões, tem as músicas próprias da banda, e quem faz isso é o Kleber.

BL: Uma coisa muito bacana que rola nos shows de vocês é que o público participa da apresentação pedalando junto ao Renan, ciclista monitor. Como funciona essa participação?
Armelin: A proposta da banda é a participação do público. Nós podemos até começar pedalando para mostrar como funciona, mas logo temos que abandonar porque não dá para pedalar, tocar e cantar ao mesmo tempo. Mas isso é uma mensagem para dizer que o trabalho em grupo é o que causa a melhoria ambiental. As pessoas precisam se ajudar para que a coisa possa acontecer.
Reginaldo: O importante da participação do público é o trabalho em equipe, pois as pessoas percebem que uma depende da outra. Você pedalar sozinho é uma coisa, pedalar em 3 ou 4 pessoas é outra. Além disso, é também uma forma de entretenimento para quem assiste nossos shows. Por isso a gente quer e torce para que todo mundo que está acompanhando nossa apresentação possa pedalar com a gente também.

BL: Qual a reação do público quanto a esta interação? É positiva?
Armelin: No começo era muito estranho, precisava quase insistir para a pessoa subir na bicicleta. Mas hoje não é mais assim, a gente acaba de montar as bicicletas, está arrumando as coisas, e já tem gente querendo pedalar, principalmente as crianças, que entendem muito bem o que está acontecendo ali. Aí acabam vindo os pais e também outras pessoas. E o pessoal do ciclismo também adora, tem gente que não quer largar da bicicleta.

BL: E isso é muito legal, pois mostra que existem formas criativas de se ensinar educação ambiental para as pessoas. Gostaria de saber qual a opinião de vocês sobre a questão do ensino da educação ambiental no Brasil, como vocês se sentem fazendo isso, e qual o retorno que vocês veem do público.
Max: Geralmente, quando é criança, a gente ouve falar que ela começa a pegar no pé dos pais, chamando atenção para desperdício de água, e outros temas citados nas músicas. E isso é legal porque a criança vai criando a conscientização desde cedo e vai passando para o adulto. Bom, o Brasil é um dos campeões de reciclagem, de alumínio pelo menos. Ainda precisamos melhorar muito e eu acredito que o cuidado ambiental faz parte. Mas tudo isso tem que ser feito com equilíbrio, para não adotarmos a postura de “ecochatos”
Armelin: Tanto que em nossas músicas sempre temos o cuidado de passar a mensagem de forma positiva e divertida, nunca em tom de cobrança. E a gente acredita que se é divertido entra na cabeça da pessoa e assim que ela começa a digerir e cantar aquilo, ela começa a ter vergonha de fazer coisa errada. Por exemplo, quando o Max canta “Sacolas de Plástico não morrem”, a gente quer que as pessoas fiquem envergonhadas quando vão ao supermercado e pegam as sacolas de plástico.
Reginaldo: O que a gente percebe também, é que isso é a passo de formiguinha. Mas o que a gente vê é que antigamente as pessoas só destruíam, e hoje isto está mudando. E é isso nos motiva. Estar entre as pessoas que fazem algo pelo meio ambiente para que esta situação seja revertida. Que tenham mais pessoas dia a dia vendo que não é só destruir e consumir, mas também economizar e proteger.

BL: Continuando no tema educação, gostaria de falar sobre uma questão que a gente briga tanto aqui em São Paulo, que é a mobilidade urbana, que é a questão de ter uma cidade feita por pessoas e para pessoas, de ter um sistema de mobilidade que seja agradável a todos. E dentro disso, gostaria de citar o uso da bicicleta como forma de transporte alternativo sustentável. O que vocês acham sobre isso?
Reginaldo: Pensando pelo lado frio, eu acho que ainda está um pouco perigoso de se andar. A gente vê muitos acidentes com ciclistas por falta de educação. Então eu vejo que para isso ser algo seguro, infelizmente não depende só da gente, só das pessoas que se motivam e tem esse pensamento de andar de bicicleta. Acredito que ainda demore alguns anos para que isso seja uma forma segura e prática, faltam ciclovias, falta respeito dos motoristas, mas eu acredito que em um futuro, não sei se próximo, as bicicletas serão a melhor forma de locomoção sustentável nas cidades. Acredito que falta um pouco de iniciativa do governo. 
Max: Infelizmente nossa urbanização foi pensada única e exclusivamente para os carros, que é um modelo de status no Brasil. Isso tem que mudar. É cultural, educacional. Leva tempo, mas as pessoas vão se conscientizando, tudo vai mudando, cria-se uma política de educação, não é fácil e quem está fazendo, sofre as consequências. Mas eu vejo um aumento no número de ciclistas nos últimos anos. Por exemplo, um rapaz que conhecemos em um evento comentou que trabalha em uma empresa aqui em Santa Bárbara (SP) e ia de bicicleta todo dia. Quando ele começou a ir de bicicleta, tinha um bicicletário abandonado. Então, a empresa restaurou esse bicicletário e hj seis pessoas vão trabalhar de bicicleta. São as pequenas iniciativas. A partir disso, as coisas tomam corpo, consegue-se apoio político para melhores estruturas. Com estatísticas não tem como não dar certo.

BL: Sim, a mudança vem de pequenos núcleos
Max: Sim, até pouco tempo atrás o Armelin era o louco das bicicletas (risos). E hoje muitas pessoas possuem essa mesma afinidade, esse mesmo pensamento.

BL: Quais os planos futuros para a banda?
Reginaldo: No dia 4 de outubro deste ano lançaremos nosso CD de músicas autorais que se chama Cantando Ecologia. O lançamento será em um espetáculo no teatro de nossa cidade envolvendo duas importantes instituições, a APAE e o Colégio Ideal, onde estes farão algumas coreografias de nossas músicas. Na recepção do teatro haverá bicicletas geradoras anunciando o espetáculo e nós entraremos no teatro de bike! Enfim, muitas surpresas que só quem assistir saberá.
Armelin: No quesito tecnologia continuaremos a evoluir e criar invenções que serão devidamente patenteadas, o que significa que pertencerão publicamente a Nação Brasileira, onde de direito nos assegurará 20 anos de uso exclusivo delas.

BL: Bom, para encerrar a nossa conversa, eu gostaria de pedir que vocês deixassem uma mensagem para os nossos leitores, principalmente aqueles que são ciclistas, que usam a bicicleta como transporte, que encaram o trânsito, enfrentam as dificuldades que a gente tem aqui em são Paulo, que não é uma cidade fácil, que não tem uma política de respeito com o ciclista. 
Armelin: Eu quero encorajar meus amigos ciclistas e cicloativistas que acreditam que andar de bicicleta é fazer bem ao planeta. Snta-se confortável, e presenteado com isso. Eu sei que não é fácil andar na rua, encontrar os carros avançando e buzinando para nós. Mas o que a gente está fazendo pelo planeta vai fazer grande diferença. E as pessoas que estão com essa postura de não nos respeitar, não vai demorar muito tempo, também farão parte do nosso grupo. Esse é meu recado. Que todo mundo acredite em um mundo melhor, só que para isso você precisa ser uma pessoa melhor também.

Curtiu? Veja um trecho de um show com a música "Bike Vermelha"!
Quer ver a banda de perto: Acesse aqui a agenda!


#GoBikers!

domingo, 1 de setembro de 2013

Chegou o mês do "Dia Mundial Sem Carro"!

Hoje estamos entrando no mês mais especial do ano: o mês do "Dia Mundial sem carro"!


A História do DMSC começou na França em 22 de setembro de 1997. Em 2000, a União Européia instituiu a Jornada Internacional "Na cidade, sem meu carro", reunindo 760 cidades. No ano seguinte foram 1683 cidades  participantes. Então a partir do êxito do Dia Europeu sem carro, a comissão organizadora lançou em 2002, a Semana Européia da Mobilidade.
No Brasil, a iniciativa começou em 2001 envolvendo 11 cidades:  Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas (RS); Piracicaba (SP); Vitória (ES); Belém (PA); Cuiabá (MT), Goiânia (GO);Belo Horizonte (MG); Joinville (SC); São Luís (MA). Em São Paulo a iniciativa é realizada desde 2005.
Usando como exemplo as  iniciativas européias, em 2010 foi idealizado no Brasil, uma semana de ações e conscientização relacionadas à mobilidade urbana.


Este ano, as atividades estão sendo publicadas aos poucos, na cicloagenda do site Vá de Bike. Fique de olho na programação da sua cidade!
Além disso, você como cidadão, pode deixar seu carro na garagem e experimentar conhecer sua cidade de outras formas: transporte público, caminhada, skate, patins ou claro, uma boa pedalada!


Participe e construa uma cidade melhor!
Postaremos mais informações conforme os eventos forem divulgados.

#GoBikers!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Feliz Dia Nacional do Ciclista!!!

Você sabe por que hoje é o "Dia Nacional do ciclista"?



No dia 19 de agosto de 2006, o ciclista Pedro Davison, um estudante de Biologia de 25 anos, foi atropelado e morreu em pleno Eixo Rodoviário do Distrito Federal.
Pedro foi atingido em sua bicicleta por trás, por um motorista que circulava em uma faixa proibida, com a habilitação vencida e aparente estado de embriaguez. Após o acidente, o motorista deixou o local sem prestar socorro.
Em homenagem a Pedro, a deputada Solange Amaral propôs em 2007, o Projeto de Lei (PL832/2007), que institui o "Dia Nacional do Ciclista" a ser comemorado anualmente no dia 19 de agosto. O projeto ainda aguarda no processo de aprovação.
O objetivo é incentivar a prática da reflexão sobre a questão da mobilidade, do respeito e da política de uma cidade para pessoas.


Independente da formalização da data, a #BikeLovers! homenageia todos os ciclistas que foram vítimas de violência no trânsito, desrespeito ou imprudência; todas as pessoas que amam bicicletas e fazem dela seu meio de transporte e lazer; todos que enfrentam desafios diários para pedalar com segurança em suas cidades, que acreditam em uma verdadeira política de mobilidade urbana, em um modelo sustentável de transporte e um estilo de vida mais saudável e positivo.

E é claro, lembra que todo dia é dia de pedal, dia do ciclista e dia de respeito!


Até mais! #Gobikers!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Curso da CET ensina a pedalar com segurança


A CET - Companhia de Engenharia de Tráfego - iniciou recentemente um curso para quem está interessado a aprender a andar de bicicleta com segurança.
O curso acontece em São Paulo, na Barra Funda, no Centro de Treinamento e Educação de Trânsito, onde foi construída uma pista que segue os modelos cicloviários com 700 metros de extensão.
As aulas são divididas em teoria e prática e incluem informações sobre equipamentos de segurança, artigos do Código de Trânsito Brasileiro que contemplam a presença de ciclistas no trânsito, manutenção, exercícios de frenagem, equilíbrio, mudança de marcha, além de aspectos importantes da saúde do ciclista.
O curso é gratuito, tem duração de 8 horas e podem se inscrever pessoas maiores de 18 anos que já saibam andar de bicicleta.
As inscrições devem ser feitas através do e-mail: dco2@cetsp.com.br
Maiores informações aqui.


Até a próxima! #Gobikers!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Ciclistas urbanos - "Histórias guiadas por pedais"

Hoje postamos para você um vídeo muito bacana sobre a mobilidade urbana na cidade de São Paulo.
Se trata de um documentário realizado por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Santo Amaro (UNISA), e traz a visão dos ciclistas sobre pedalar e sua relação com a cidade.
O vídeo conta ainda com depoimentos de Renata Falzoni, JP Morais, Missaki Idehara e Thiago Pereira.
É inspirador! Assistam!


Até a próxima! #Gobikers!

domingo, 4 de agosto de 2013

Exposição Andy Singer ''Sem saída''

A exposição ''Sem saída'' que reúne 18 obras do cartunista americano Andy Singer estará durante o mês de agosto na estação do metrô Brás, linha vermelha de São Paulo.
O trabalho de Andy Singer aborda de forma direta as questões relacionadas ao deslocamento nas cidades nos levando a reflexões sobre mobilidade, sustentabilidade e uso do espaço urbano.
Com forte tom de crítica social e ativismo, sem deixar de lado o humor, seu trabalho é reconhecido e admirado no mundo todo, principalmente entre os ciclistas urbanos. Atualmente seus desenhos são publicados regularmente em diversas revistas políticas e folhetos alternativos dos EUA como Cagle.com, Random Lenghts, The Funny Times; e seus cartoons são publicados em importantes revistas e jornais do mundo como The New Yorker, Esquire, La Décroissance entre outros.



Mais do que cartoons de críticas, os desenhos de Andy procuram estimular discussões sobre o mundo atual.
''Muito do que fazemos, particularmente nos países ricos, é influenciado por imagens'', explica o artista. ''Nós decidimos o que comprar, o que vestir, como agir e até mesmo não ir para a guerra, baseado em parte nas imagens que vemos na televisão ou na internet. Devido essa tremenda influencia que a imagem tem sobre o comportamento humano, fazer um cartoon ganha uma dimensão política e pode ter uma grande força social.''
''Sem saída'' é uma seleção de um conjunto grande de cartoons que tem como tema a mobilidade, nos fazendo refletir sobre o uso abusivo do automóvel, poluição e suas consequências sobre o meio ambiente e a cidade, as dificuldades enfrentadas pelos ciclistas.
Esta é a primeira exposição do artista em português, sob a curadoria da Bike Forever, que já realizou outra exposição de Andy no MuBe, também em  São Paulo, maior, porém em inglês.

Andy Singer - Sem saída
05 a 31 de agosto de 2013
Estação Brás
Visitação gratuita